Classificação olfativa

Perfume e emoção estão intimamente ligados. Conceitos subjetivos podem definir uma fragrância como doce, amarga, seca, romântica, fresca, forte, sensual, radiante, intensa. Porém, a forma mais adequada de descrever um perfume segue critérios objetivos que exigem certo conhecimento técnico. São critérios internacionais -- estabelecidos pelos grandes fabricantes de essências -- adaptados a características particulares e até mesmo culturais de diferentes países. No Brasil, a lavanda, por exemplo, caracterizada em outros países como uma direção olfativa masculina, ocupa respeitável espaço dentro da classificação olfativa feminina.

Não há mistério no entendimento da classificação olfativa, se levarmos em conta as características próprias de cada uma das famílias olfativas -- o sistema é baseado em famílias conceituais de fragrância, cada qual com suas subcategorias. Mergulhar nesse envolvente para uso pessoal.

No entanto, cada uma das três partes da estrutura de um perfume (notas de saída, corpo e fundo) é composta de vários ingredientes. Assim, dois diferentes perfumes, embora tenham uma fragrância em comum, podem estar situados em famílias olfativas distintas. Em nossa classificação, prevalece o bom senso: optamos pela impressão predominante de cada perfume para determinar a qual família ele pertence.

Na descrição de cada família, foram selecionadas referências clássicas, ou seja, os títulos mais importantes dentro da categoria, os que inspiraram ou deram origem à direção olfativa que acabou constituindo uma família.

Famílias olfativas e suas categorias

Família cítrica

As primeiras composições perfumadas que se têm notícia eram as Águas de Colônia, que na sua maioria eram compostas por ingredientes cítricos cujos principais ingredientes são: bergamota, laranja, limão e mandarina. Seu óleo essencial é obtido por meio da pressão da casca. Bons exemplos de perfumes nessa família olfativa são: Eaux de Cologne extra-vieille, de Roger & Gallet; 4711, de Wilhelm Mühlens; Eaux de Cologne Impériale, de Guerlain, e perfumes mais recentes como Eau Sauvage, de Dior, Ô, de Lancôme ou Acqua Fresca, do Boticário.


Família aromática

Lembrando o cheiro de relva, a família olfativa aromática, também conhecida como Fougère, é baseada na harmonia entre a lavanda, notas amadeiradas e cumarina. O batismo deste grupo foi definido por uma criação pioneira: o perfume Fougère Royale, de Houbigant, lançado em 1882 que de tanto sucesso, deu origem ao nome da família. Ousado para a época, por combinar lavanda (único aroma masculino então) com notas de musgo e de madeiras, como patchuli, o perfume eternizou a direção olfativa masculina apreciadíssima – no Brasil, inclusive pelas mulheres. Suas subcategorias são: Aquático, Fougère, Fresco e Verde.


Família floral

Reúne a maior concentração de perfumes femininos, com fragrâncias bastante apreciadas em todo o mundo. Muitas delas apresentam acordes claramente reconhecíveis que lembram fragrâncias puramente florais. A combinação de várias flores em um mesmo perfume surgiu entre as décadas de 30 e 40 e desde então nunca parou de crescer. Família quase que exclusivamente feminina, esta não impede que muitos perfumes masculinos possuam notas florais. Esse conceito se divide em oito subcategorias com acentos distintos: Aquático, Alavandado, Aldeídico, Amadeirado Musk, Flores Brancas, Frutal, Rosa Violeta e Verde.


Família chipre

Esta família é caracterizada pela presença de notas cítricas de bergamota em harmonia com um fundo de musgo de carvalho, patchuli ou outras madeiras nobres, originárias da região mediterrânea. O nome remete ao primeiro perfume com esta combinação olfativa, inspirado na legendária ilha grega homônima: o Chypre lançado em 1917 por François Coty. O sucesso foi tanto que gerou uma nova família olfativa. Suas variantes podem ser: floral ou frutal.


Família amadeirada

Aqui se encontram notas quentes e opulentas, como o sândalo, por exemplo, ou às vezes secas e frias, como o cedro ou o vetiver. Integram geralmente as notas de fundo de um perfume. É uma família composta principalmente por perfumes masculinos, embora depois da década de 90 tenha ganhado certa força entre os perfumes femininos. Algumas madeiras dão um efeito mais verde e úmido aos perfumes, como patchuli, por exemplo. Suas subcategorias são: Aquático, Aromático, Chipre, Especiado e Floral.


Família oriental

Notas orientais despertam associações com as legendárias fragrâncias das Mil e Uma Noites, com seus aromáticos bálsamos e resinas; também evocam as preciosas especiarias, além de um lado mais adocicado e ambarado. Criações dentro desta família atravessaram o Oriente e se difundiram por todo o mundo, que se encantou com o profundo toque exótico. São perfume superenvolventes e sedutores. Suas inflexões podem ser: Amadeirado, Baunilha Âmbar, Especiado, Floral, Fougère e Gourmand.


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