Ingredientes

A harmonia das composições

Delicados como a rosa, exóticos como o patchuli, frescos como o vetiver. Há uma infinidade de ingredientes que pode ser utilizada para compor um perfume.
Naturais ou sintéticos, eles conferem a fragrância sua mais pura essência.

As flores são, efetivamente, a principais fontes de inspiração para os perfumistas. No entanto, os óleos essenciais utilizados em um perfume também podem ser originários de raízes, caules, folhas, sementes, frutos, resinas, cascas de árvores etc. A laranjeira, por exemplo, oferece o neroli (extraído das flores), o óleo cítrico (obtido da casca da fruta) e o petitgrain (oriundo de folhas e galhos).
Há pouco mais de um século, existiam cerca de 150 ingredientes que podiam ser usados em uma fragrância. Atualmente, esse número saltou para cerca de 1000 extratos naturais e, graças aos avanços da química, há mais de 3000 opções em sintéticos, que são a base de muitos perfumes modernos.

A inspiração vem das matérias-primas naturais

  • Flores

    Flores - Brasil Essencia

    Baseado no aroma de inúmeras flores que a maioria dos perfumistas compõe as suas criações. Rosa e jasmim, por exemplo, são considerados os pilares da perfumaria. Ylang-ylang, flor de laranjeira (neroli), frangipani, gardênia, gerânio, lavanda, frésia, lírio, lírio-do-vale (ou muguet), mimosa e violeta também têm seu lugar de destaque. O osmanthus, por exemplo, é uma flor nativa da China e tem um delicado aroma frutal de damasco. Já o heliotrópio tem um cheiro forte e adocicado, que lembra baunilha e amêndoas.

  • Raízes e rizomas

    Raízes e rizomas - Brasil Essencia

    Iris, gengibre, valeriana e vetiver, entre outras raízes, formam essências notáveis. O vetiver, muito usado na perfumaria, é um tipo de planta com raízes fortes e fibrosas, que oferece um cheiro de terra com um toque amadeirado. Já o orris, obtido dos rizomas secos de íris por meio de destilação, resulta em uma manteiga de perfume extremamente delicado. Como é muito valioso, é raramente empregado.

  • Folhas e caules

     - Brasil Essencia

    São mais de 300 variedades diferentes que emprestam sua fragrância à perfumaria. Entre elas, folhas de violeta, gerânio, cálamo, figo, cipreste, murta, cedro, petitgrain, tabaco e eucalipto. Outro astro desta categoria é o patchuli, cujo óleo essencial obtido das folhas e do caule, é um exótico componente de muitos perfumes de aroma persistente.

  • Musgos, madeiras e cascas de árvores

    Musgos, madeiras e cascas de árvores - Brasil Essencia

    Eles são usados desde os tempos mais remotos e eram originalmente empregados em incensos, unguentos e cerimônias de defumação. Os mais conhecidos são: cabreúva, cedro, musgo, musgo de carvalho, pau-rosa, pinho e sândalo. A madeira de agar, também conhecida como Oud ou madeira de Aloe, que quando atacada por fungos produz uma aromática resina muito usada no Oriente para a produção de incensos. E o guaiaco é uma árvore típica da América do Sul e produz uma das madeiras mais fortes conhecidas.

  • Resinas, gomas e bálsamos

    Resinas, gomas e bálsamos - Brasil Essencia

    São substâncias extraídas de certas árvores que se transformam em cristais e são usados desde a Antiguidade como incensos. Olíbano (que se transformou em sinônimo de incenso), mirra, benjoim, gálbano, estoraque, opopânace, bálsamo do Peru, bálsamo de copahu (ou copaíba), elemi, labdanum (ou cistus). Do bálsamo de Tolu, árvore nativa do Peru, por exemplo, extrai-se uma resina cujo aroma lembra o de baunilha e canela. O bálsamo de copaiba, nativo da América do Sul, tem cheiro suave, doce e balsâmico.

  • Especiarias, condimentos e ervas aromáticas

    Especiarias, condimentos e ervas aromáticas - Brasil Essencia

    Elas dão toque especiado ou condimentado a muitas fragrâncias, especialmente às masculinas e aos perfumes mais refrescantes. Alecrim, anis, artemísia (obtida de várias espécies do gênero, é também o principal ingrediente do absinto), baunilha, canela, citronela, cominho, cravo-da-índia, endro (dill), erva-cidreira, estragão, louro, manjericão, manjerona, menta, noz-moscada, orégano, pimenta, sálvia esclarea, tomilho, verbena e zimbro (junípero) são alguns exemplos apreciados pelos perfumistas.

  • Sementes e grãos

    Sementes e grãos - Brasil Essencia

    Estes ingredientes conferem uma característica bastante especial à perfumaria. Entre eles, ganham destaque o ambrette, o cardamomo, o cominho, o coentro, o feno grego e a fava-tonka, um tipo de vagem nativa do Brasil com cheiro similar ao da baunilha, com um toque de cravo, canela e amêndoas. O ambrette também faz parte desta família, cujo óleo obtido de sementes tem um odor similar ao musk e é muitas vezes utilizado para substituí-lo.

  • Frutas

    Frutas - Brasil Essencia

    Cítricas formam o maior grupo da categoria e são muito empregadas na perfumaria desde os primórdios das águas de colônia. Destaque para: abacaxi, ameixa, amêndoa, amora, bergamota (tangerina), cereja, coco, damasco (abricot), framboesa, groselha, laranja, limão, mandarina, manga, pêssego, toranja (pomelo) e yuzu, uma fruta cítrica nativa do Japão, cujo aroma lembra o do grapefruit e o da mandarina.

  • Animais

    Animais - Brasil Essencia

    Surpreendente saber que adoráveis criaturas, como o castor, colaboram na fabricação de fragrâncias. Aromas de origem animal, como almíscar (musk), civet, ambergris, castoreum, tornaram populares durante a Renascença. Como são persistentes, formam as notas de fundo de um perfume, ou seja, funcionam como excelentes fixadores. Com o passar do tempo, as práticas de extração foram regulamentadas para assegurar a sobrevivência das espécies envolvidas. Hoje, graças ao advento dos sintéticos, a perfumaria encontrou substitutos à altura dos originais. Antes, eram necessários 20 bolsas glandulares, ou seja, 20 cervos, para se obter 450 gramas de almíscar.

O faz de conta dos ingredientes sintéticos

A perfumaria moderna começou no século 20, quando a química disponibilizou aromas sintetizados, ou seja, réplicas dos naturais, que permitiram inúmeras novas combinações aos perfumistas. Um bom exemplo desta categoria são os aldeídos, substâncias sintéticas que fixam as fragrâncias das flores e possibilitam o uso da matéria-prima natural em menor quantidade. O sucesso de Chanel N⁰ 5, criado em 1921, por Ernest Beaux, foi graças à dose excessiva de aldeídos, isso porque o efeito que ele produz jamais seria atingido somente com substâncias naturais. Desde então, as pesquisas caminharam rapidamente e métodos sofisticados de análise revelaram segredos da natureza capazes de abrir novos horizontes para a indústria da área.

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